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Belo Horizonte, fevereiro de 2019

Após 3 anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, e no momento em que estamos completamente impactados por mais uma tragédia provocada pelo mesmo tipo de rompimento, desta vez em Brumadinho, e a iminência de muitas outras mais, o Grupo Teatro Andante segue em reflexão e luta acreditando que contar essa história é uma maneira de contribuir para que ela não seja esquecida.

 

Fruto de intensa pesquisa durante mais de um ano sobre o incidente da Barragem de Fundão e de experimentação que mescla diversas linguagens artísticas, o espetáculo tem direção de Marcelo Bones e é encenado por Ângela Mourão, Bruna Sobreira e Thiago Amador (ator convidado). “Estamos falando de relações humanas e do impacto do indivíduo sobre o ambiente em que se insere e vice-versa. Especialmente, nesse momento, em que novo desastre, tão parecido com o anterior, mas de proporções humanas muito maiores, nossa responsabilidade é imensa ao levar esse trabalho ao público de Minas Gerais, uma vez que isto diz respeito a todos nós”, analisa o diretor.

 

Sobre o espetáculo

História que não pode ser esquecida

O que nós podemos fazer por essa memória? O que nós podemos fazer para dar um basta neste tipo de desastre que leva à tragédia de tanta gente soterrada e de catástrofes ambientais? De que forma isso nos afeta? Como lidamos com essa situação?  Lidamos?  Essas foram as indagações presentes no processo criativo dos atores. “Estamos a pouco menos de 200 km do rio Doce e a 50 Km do Paraopeba, já não temos mais como nos deixar esquecer e seguir em frente. Entendemos que ampliar a memória coletiva sobre essas histórias é parte da resistência”, ressalta a atriz Bruna Sobreira.

No processo de pesquisa, o grupo entrou em contato com os atingidos de Bento Rodrigues e Barra Longa. “Fomos diversas vezes aos locais destruídos para ver com nossos próprios olhos a paisagem de desolação, mergulhamos nos relatos jornalísticos, em imagens, relatórios oficiais. Concluímos que não podíamos mais fechar os olhos e achar que isto está distante de nós. Precisamos falar sobre isto, diz respeito a todos nós”, relata a atriz Ângela Mourão.

Construído em diálogo criativo com importantes artistas de diversas áreas, o espetáculo traz uma linguagem que reúne movimento, composição, sonoridade, vídeo e texto, com abordagem dramatúrgica documental e contemporânea. O Grupo reuniu pessoas distintas em torno do projeto. “A ideia inicial era trabalhar com pessoas de linguagens diferentes para que uma narrativa fosse contada por vários ângulos, tensões e códigos; Teatro, Música, Cinema e Dança. Veio a Lama e fomos impactados, depois ao pisar nela, sensibilizados a nos colocar a serviço daquelas pessoas, daquele acontecimento e agora, com a tragédia de Brumadinho esse compromisso aumentou ainda mais", ressalta o ator Thiago Amador.

 

São esses os artistas-criadores que, coordenados pela direção de Marcelo Bones, participaram da pesquisa e construção de LAMA:

- Guiomar de Grammont (dramaturgia e texto), que trouxe a questão da memória para o espetáculo, além de aproximar ainda mais os atores do local da tragédia;

-Tarcísio Ramos Homem, (construção da dramaturgia do movimento cênico), equalizando a linguagem corporal dos atores em cena;

- Ricardo Alves Junior, que direciona no espetáculo o olhar da câmera;

- Sérgio Pererê, com a estrutura musical influenciada pela sonoridade ancestral;

- Cláudio Dias, responsável pelo arcabouço do espetáculo, levantando com o grupo os primeiros materiais que estão ramificados por toda a obra.

 

“Optamos por mesclar linguagens, algo desafiador e novo para o grupo, mas mantivemos a trajetória de espetáculos engajados, críticos, além de poéticos e apurados artisticamente”, destaca Marcelo Bones.

 

 

Ficha Técnica

 

Direção: Marcelo Bones

Atores-criadores: Ângela Mourão, Bruna Sobreira e Thiago Amador

Dramaturgia e texto: Guiomar de Grammont e Grupo Teatro Andante

Diálogos Criativos

View points e composição cênica: Cláudio Dias

A câmera em cena: Ricardo Alves Junior

Movimento e composição cênica: Tarcísio Ramos Homem

Sonoridades como construção cênica: Sérgio Pererê

 

Iluminação: Marina Arthuzzi

Cenário, objetos de cena, figurinos: Wesley Simões

Assessoria técnica audiovisual: Fabiano Lanna

Projeto Gráfico: Denilson Gomes | Solo Comunicação

Realização: Grupo Teatro Andante

 

 

 


 

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